14 Jul

Depois de afirmar que o MDB gaúcho teria candidatura própria ao governo do Rio Grande do Sul, uma reunião, realizada na quarta-feira, 13, em Porto Alegre, pode mudar os rumos da sigla nas eleições de outubro. Isto porque, lideranças regionais e a direção nacional emedebista, aprovaram um indicativo que autoriza a discussão do partido em retirar a pré-candidatura de Gabriel Souza e apoiar o ex-governador Eduardo Leite (PSDB). 

Em troca, os tucanos colocariam a vaga de vice-governador no colo do MDB. A aprovação desse indicativo, conforme Baleia, ocorreu de forma quase unânime: as únicas exceções foram do deputado federal Osmar Terra, aliado do bolsonarismo e da deputada estadual, Patrícia Alba.

Apesar do avanço nas conversas, ainda há muita resistência da ala jovem do MDB, que enxerga em Souza a possibilidade de protagonismo do partido. A decisão em apoiar ou não o ex-governador, deve ocorrer até o dia 31 de julho, data da convenção estadual do partido. Vale lembrar que em 2018, PSDB e MDB foram rivais no segundo turno. No entanto, poucos meses após o início do governo tucano, os emedebistas já integravam a base aliada.

Entre os apoiadores da aliança Leite-Souza está o presidente da Associação de Prefeitos e Vice-Prefeitos do MDB gaúcho, Gustavo Stolte. Ele afirma que “ampla maioria” dos chefes de executivo municipais da sigla querem a aliança com Leite. "Gostaríamos de ter candidatura própria, mas as circunstâncias mostram que esse governo tem resultado. E o MDB contribuiu com isso, não só com votos na Assembleia, mas com o legado do governo Sartori ", disse.

Outro integrante do MDB gaúcho, o deputado estadual, Juvir Costella, que foi secretário estadual de Transportes no governo Leite, também apoiou o início das negociações. "Temos de dialogar sobre o que queremos para o Estado. Tenho posição favorável à composição com o centro: PSDB, PSD, UB e também o PTB. Seria importante o MDB ter candidatura própria. Mas qual a chance de vitória? Muito difícil", questiona. 

Apesar dos avanços, ainda há muito o que ser feito para consolidar a hipótese da chapa Leite-Souza. Após o anúncio da pré-candidatura do tucano ao governo do Rio Grande do Sul, o MDB veio a público garantir a permanência de Souza no pleito, o que empolgou a militância jovem e da própria velha-guarda do partido no RS, que ainda defendem a tese de candidatura própria. 

Há semanas, o diagnóstico interno de alas emedebistas é de que Gabriel teria simpatia pela opção de ser vice de Leite, mas o empecilho é vencer a ruidosa oposição da juventude, da militância e da velha guarda do MDB gaúcho, setores que fincam pé na tese da candidatura própria.

Contrário a esta possível união, o ex-prefeito de Santa Maria, César Schirmer, veio à público, por meio de uma carta, criticar as movimentações da sigla. O político alegou que o partido no estado possui “lideranças frágeis, negociações escusas, traições, mentiras, cargos, fundos eleitorais, má-fé”, entre outros adjetivos. 

No documento, Schirmer questionou a mudança de posicionamento do partido em menos de uma semana. “Não consigo entender. Há cinco dias, a direção estadual decidiu, por unanimidade, indicar candidatura própria ao governo do Estado. O que mudou para, cinco dias depois, receber com festa e banda de música o presidente do MDB nacional, que é contra a nossa posição? Agora vão dizer que não temos dinheiro, coligações, tempo. Ignoram que já ganhamos eleições sem dinheiro, sem coligação, sem tempo, mas com ideias, mobilização e força”, disse o político. 

Além dele, outros nomes fortes do partido são contrários à coligação, entre eles, ex-senador Pedro Simon, o ex-governador José Ivo Sartori e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo. 

Foto: Joel Vargas / Reprodução

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