13 Dec

Presidente da entidade, Felipe Henrique Giaretta, fala sobre a atuação comunitária e projetos para os próximos anos

Reconhecida por seus relevantes serviços de de utilidade pública municipal, estadual e federal e ao longo de seus 50 anos, a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Encantado vive um momento de transformação. Entre as mudanças, a busca pela nova sede da entidade, visando manter o trabalho de excelência, reconhecido por todo o Vale do Taquari. Em entrevista exclusiva, o presidente da entidade, Felipe Henrique Giaretta, detalha mais sobre firme trabalho no propósito de atuar em prol das pessoas com deficiência.


Acontece no Vale - Atualmente, a Apae atende quantos alunos? Quais serviços são prestados?

Felipe - A APAE atende diariamente 90 alunos na Escola Especial Recando Encantado e cerca de 150 pacientes por semana nos serviços de saúde e assistência social. Além disso, desde 2017, somos responsáveis pela administração do Centro Especializado em Reabilitação Física e Auditiva – CER II, onde são realizados mais de 4 mil procedimentos ao mês, bem como dispensados órteses, próteses e outras tecnologias assistivas em conformidade com a necessidade de cada paciente.

AV- Como está a estrutura da Apae nos dias de hoje?

Felipe - A instituição possui quase dois mil metros de área construída, que abrigam salas de aula, consultórios para atendimentos e prática das terapias, piscina para hidroginástica e terapia aquática, ginásio de esportes, refeitório, auditório, sala de convivência, secretaria e lavanderia. Contudo, a atual estrutura já está se aproximando da capacidade máxima, o que dificultará o aumento do número de atendimentos e práticas terapêuticas à curto e média prazo.

AV- Que tipo de deficiências a Apae atende hoje?

Felipe - A APAE é habilitada pelo Sistema Único de Saúde para atender pessoas com deficiência intelectual ou múltipla e pessoal com Espectro Autismo. Antes dos seis anos de idade crianças que chegam até a APAE devido a presença de atraso de desenvolvimento global ou específico também podem ser acompanhadas até o diagnóstico de deficiência ser confirmado ou descartado.


AV- Quantos funcionários trabalham na Apae? 

Felipe - São 73 colaboradores, que estão distribuídos entre a Escola, Serviço de Saúde, CER, lavanderia e administrativo.

AV- A entidade dá algum suporte para os pais também?

Felipe - São oferecidas oficinas e grupos de convívio aos pais e demais familiares, além do acompanhamento do serviço de assistência social. Também buscamos oferecer acompanhamento terapêutico com psicologia breve quando necessário e orientações e apoio para que os estímulos realizados na instituição sejam estendidos ao ambiente domiciliar.

AV- Como é dirigir uma instituição de ensino que atende crianças especiais?

Felipe - Dirigir uma instituição filantrópica e de cunho assistencial é sempre um grande desafio e nos provoca a não desistir diante dos obstáculos de qualquer ordem, inclusive os da vida pessoal. A conceito original da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE estabelece como sendo uma instituição mantenedora de serviços de educação, saúde e assistência social. Por isso achamos importante esclarecer que a instituição não se resume a Escola de Educação Especial, pois também é um serviço de reabilitação intelectual, onde inclusive são realizados o maior número de atendimentos aos usuários da APAE. No caso específico da APAE de Encantado, além dos serviços tradicionais prestados pela instituição, também contamos com uma lavanderia industrial que é responsável pela lavagem de mais de 25 mil quilos de roupas/mês, empregando diretamente 15 pessoas.

AV- De onde surgiu o teu apreço pela Apae?

Felipe - Fui apresentado a APAE pelo acaso. Autorizei um débito em conta bancária de R$ 10,00 como contribuição para a entidade. Passados cinco anos, quando fui convidado para ocupar a função de vice-presidente no triênio 2014/2015/2016, acabei descobrindo que aquela contribuição conferia a condição de associado. Aceitei o convite com a perspectiva de colaborar e acabei “apaexonado” pela causa da inclusão e assistência.


AV- Como você avalia os seus anos frente à entidade?

Felipe - Em 2014 passei a ocupar a vice-presidência da entidade, função na qual permaneci até o final de 2016, quando fui eleito para ocupar a presidência no triênio 2017/2018/2019 e posteriormente reeleito para o triênio 2020/2021/2022. Apesar da quantidade de tempo transcorrido, tenho a impressão de que poderíamos ter feito muito mais em favor da causa. Ainda existem muitas pessoas com deficiência necessitando de atenção, auxílio e cuidados, em situações que fogem do limite do alcance da APAE.

AV - A Apae tem projetos para o ano que vem? Quais?

Felipe - Uma das nossas meta é poder ampliar as terapias assistidas por animais, visto o imenso resultado que foi observado em tão pouco tempo. Também temos o Centro Regional de Autismo como grande objetivo para o próximo ano, de forma que ele venha a ser funcional e colabore com brevidade a todas as redes municipais que estão precisando deste auxílio. Também estudamos outras modalidades de terapia e propostas pedagógicas, tudo isso associado ao aumento da nossa estrutura, a qual possibilitaria a prática diária de um número muito maior de recursos para pessoas com deficiência.

AV - Quais projetos a Apae já realiza e que contribuem no desenvolvimento dos usuários que frequentam o local?

Felipe - A APAE é uma instituição com muito potencial para novas abordagens e projetos. Este ano, embora as limitações em virtude da pandemia, conseguimos colocar em prática o Projeto de Terapia Assistida por Animais (carinhosamente chamada de Pet terapia), a construção de uma sala de Integração Sensorial para profissionais da área da Terapia Ocupacional, investimento em projetos de Hortoterapia tanto no prédio da APAE, como no prédio do CER. Além disso a Escola da APAE oferece aos alunos atividades teatrais e aulas semanais de capoeira. Estamos sempre em busca de novas ideias e propostas.


AV - A Apae pretende construir sua nova sede. Como anda o projeto? Há algum prazo para início e conclusão de obras? Há uma estimativa de custos?

Felipe - Estamos com um pedido junto à União em vias de análise e que visa a cessão de um terreno para instituição. Paralelamente, devemos celebrar nos próximos dias uma parceria com a UNIVATES, para que por meio de uma disciplina do Curso de Arquitetura e Urbanismo, seja realizado um concurso de projetos ao longo do primeiro semestre de 2022 que melhor se adeque a nossa necessidade, realidade e possibilidade. Com o projeto em mãos, teremos uma estimativa do custo da obra e assim passaremos a realizar a captação de recursos para o seu financiamento.

AV - A pandemia afetou o trabalho desenvolvido? Como a Apae precisou se adaptar a esse momento?

Felipe - A Pandemia afetou drasticamente o trabalho da APAE, assim como da maioria das pessoas. Nossa escola precisou atender na modalidade a distância por um longo período, o que em geral agravaram os sintomas das crianças com maior comprometimento. O contato social e a ausência de rotina fizeram muita falta para todos, em especial para eles. Os atendimentos também passaram por um período de menor produção, visto as normas de higienização e distanciamento. Observamos que todos foram muito abalados, os pacientes/alunos, famílias, funcionários e a própria gestão que necessitou ser ágil na mudança de todas as suas rotinas de trabalho.

AV- Hoje, quais são as principais dificuldades enfrentadas?

Felipe - Infelizmente o pré-conceito sobre a instituição ainda impede muitas pessoas com deficiência de serem acolhidas pela APAE. Sentimentos de medo e insegurança pela ausência de informação ainda são muito presentes. É preciso deixar claro que hoje a APAE é um serviço de referência e excelência no atendimento a pessoas com deficiência intelectual e Autismo, com profissionais de extrema qualidade e capacitação para ofertar o melhor acompanhamento. Deixo claro aqui que a APAE é de toda a comunidade, logo toda ajuda e participação é sempre bem-vinda, quem sabe assim, a longo prazo, possamos juntos superar essa dificuldade de tantos anos.

AV- Como você se sente estando à frente da presidência. Qual legado, o Felipe quer deixar para a Apae?

Felipe - Colaborar com a entidade proporciona uma satisfação pessoal impossível de descrever. Porém, não carrego comigo o desejo vaidoso de deixar um legado. Se dependesse apenas da minha escolha e vontade, gostaria que minha passagem pela entidade fosse lembrada apenas como uma entre tantas outras, principalmente se isso resultasse em maior lembrança e colaboração da sociedade para a causa apaeana.

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