12 Jul
Nem as sepulturas escapam da ousadia de bandidos em Muçum

O que era para ser um local de descanso e paz virou alvo da ação de bandidos. Nos últimos dias, dezenas de sepulturas foram danificadas após roubos de peças que compõem os jazigos do Cemitério Municipal de Muçum. A informação veio à tona, após postagens em redes sociais, mostrando o resultado da prática criminosa.

Esta não é a primeira vez que os crimes acontecem no cemitério de Muçum. Em outra oportunidade, a ousadia dos bandidos foi ainda maior: em um dos furtos, os criminosos levaram uma escultura de um Cristo de bronze, de aproximadamente 1m50cm, feita há décadas e que pertencia à família Slongo. 

Naquela ocasião, os bandidos roubaram dezenas de outras sepulturas e, após o crime, atravessaram o rio Taquari em cima de um barco. Devido ao peso, a imagem de bronze acabou caindo nas águas e só foi recuperada quando o nível do rio baixou, deixando à mostra o material que foi retirado do local. Após ser removido das águas, a estátua foi levada para a igreja matriz e nunca mais reposta na sepultura original que fica na entrada da chamada parte antiga do local.

Agora, os criminosos retornaram ao local, que não possui muros de proteção e, muito menos, câmeras de monitoramento para flagrar as práticas delituosas. Na segunda-feira, 11, diversas pessoas compareceram ao local e confirmaram que as sepulturas de seus entes queridos haviam sido danificadas. Em uma postagem, uma familiar mostrou os estragos feitos nos jazigos de seu avô e seu pai. Indignada, a jovem lamentou o fato e cobrou providências dos órgãos municipais, já que o local é administrado pela prefeitura. "Fizeram a limpa no cemitério de Muçum levando embora as letras, fotos, e cruzes das gavetas. Nem os mortos têm paz. Estamos aguardando o que as autoridades vão fazer. Acredito que esteja na hora cercar e botar lei neste lugar que era pra ser de paz", desabafa. 

O roubo de peças de metais não é novidade, já que o material, em sua maioria, feito de cobre, rende valores financeiros consideráveis. A situação não é exclusiva de Muçum. Em outras cidades, a prática vem sendo registrada. Porém, a falta de fiscalização e a inexistência de monitoramento nos locais, acaba fomentando a ação de bandidos que, em plena luz do dia, chegam aos cemitérios e iniciam a retirada dos materiais. 

Segundo a prefeitura municipal de Muçum, estima-se que cerca de 30% das lápides tiveram alguma peça levada pelos criminosos. Conforme o governo de Muçum, o crime ocorreu após a iluminação pública do local e imediações ser depredada, o que facilitou a criminalidade. Além disso, há mais de uma década, o local não é cercado por muros e nem portões. A estrutura existente foi levada em uma das enchentes do rio Taquari. Após isso, o cercado não foi mais recuperado.


Procurada pela reportagem, a prefeitura de Muçum emitiu nota lamentando o ocorrido, garantindo que medidas serão implantadas para coibir novamente a prática. "Em breve, a iluminação no local deve ser reestabelecida. Outras medidas de prevenção também estão sendo estudadas. Além disso, são estudadas medidas para conter possíveis novas ações de criminosos. Por ora, é pedido que os moradores do entorno que avistarem qualquer movimentação suspeita próxima ao cemitério, para que acione a Brigada Militar pelo (51) 3751-2369 ou (51) 3751-1132", diz a nota.

Fotos: Luis Gustavo Betinelli / Reprodução

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