26 Feb

Muçunense, Bernardo Buffé, também conhecido como “Sigther”, projeta ano cheio de novidades no cenário da música eletrônica; artista se apresentou em diversos estados do Brasil e outros países dividindo palco com fortes nomes do cenário


Envolvido na música desde cedo, o muçunense Bernardo Patussi Buffé, 23 anos de idade, vem se destacando no cenário da música eletrônica, se apresentando em diversos estados do Brasil e também em outros países, dividindo palco com fortes nomes mundiais do Psy-Trance e outras vertentes do cenário musical. 

Conhecido artisticamente como Sigther, seu trabalho vem ganhando notoriedade e arrastando multidões em diferentes eventos da música eletrônica. 

Morando há cerca de três anos em Curitiba, no estado do Paraná, o DJ fala sobre seu trabalho, o gosto pela música,  projetos futuros e como foi conviver durante cerca de dois anos sem a possibilidade de se apresentar em festivais e eventos, por causa do agravamento da pandemia de coronavírus. 

Filho de Cassiano e Marlise, irmão de Brenda, Bernardo Patussi Buffé ou Sigther é mais um talento que sai da Princesa das Pontes para ganhar o mundo por meio da sua arte e do seu talento. 

Em entrevista exclusiva ao Acontece no Vale, o dj muçunense conta um pouco de sua história e fala sobre o cenário da música eletrônica nos dias atuais e o que pode se esperar do setor para os próximos anos.


Acontece no Vale - Quando surgiu o gosto pela música e, posteriormente, a oportunidade em ser DJ?

Sigther - Sempre fui apaixonado por música, não deixava de ouvir em lugar algum, com o tempo a curiosidade fui surgindo, comecei estudando instrumentos acústicos e só depois fui conhecer a música eletrônica, sempre tive muita afinidade com o computador, comecei produzir minhas próprias músicas e depois de um tempo me interessei pelo palco, começando assim minhas apresentações pela região. O tempo foi passando e a música se tornou meu maior interesse, deixei de lado muitas coisas na minha vida para me aprofundar ainda mais e poder hoje viver meu sonho.


AV - Qual foi a reação de seus familiares quando você disse que queria ser DJ, já que você vem de uma família de empresários, professores...

Sigther - No começo foi bem difícil, porém com o tempo pude provar o meu valor, minha persistência sempre foi visível e o interesse por aprender e me desenvolver pode ter facilitado a compreensão da minha família. O início foi bem dificil, trabalhei em outros lugares pra comprar meus primeiros equipamentos, cursos, etc.


AV - De onde surgiu o nome artístico “Sighter”? O que significa? 

Sigther - O nome surgiu de uma brincadeira com as palavras Sight e Insight, queria criar um nome original que ainda não fosse usado pra nada. Os insights dentro da música e do desenvolvimento de tarefas e projetos sempre se faz presente, e Sight (visão), além de se fazer presente dentro do meio, também me atraiu por eu ter descoberto “visual snow” na minha visão, um fenômeno neurológico raro que na época me assustava um pouco.

AV - E seus amigos de infância, você ainda tem contato? O que eles acham do seu sucesso? 

Sigther - Alguns eu tenho sim! Creio que os poucos que mantemos contato se tornam os mais importantes com o passar do tempo. Sempre tive o apoio deles e sinto que sempre ficaram felizes comigo e com as minhas conquistas.
AV - Como você enxerga o futuro da música eletrônica no Brasil?

Sigther - A música eletrônica vem em uma crescente no mundo todo, freada pela pandemia nos passados anos, mas se recuperando atualmente. Acho que vai aparecer muito produtor bom agora no futuro, então só tende a crescer, o Brasil também é muito forte no cenário eletrônico, muitos produtores ao redor do mundo tem suas carreiras consolidadas no Brasil, o mercado aqui é gigante.

AV - Ainda há muito preconceito sobre a vertente que tu tocas?

Sigther - Por ser uma vertente “underground”, o preconceito sempre vai existir, mas com o acesso a internet hoje em dia e a facilidade de informação, muitos paradigmas estão sendo quebrados. Quando eu era mais novo ouvia muita coisa estranha em relação a festas rave e festivais, acho que isso até aguçou meu interesse, porém muitas coisas são mitos, e o que você encontra ali não encontra em outro lugar, o pessoal quer se divertir, ser quem eles realmente são e ouvir o que gostam.


AV - Qual foi o momento mais emocionante que você viveu na profissão?

Sigther - Essa é difícil, todas apresentações são memoráveis de alguma forma, pessoas que nunca vimos na vida cantando as músicas, se divertindo com seus amigos. Mas sem dúvidas as vezes que me apresentei fora do país se tornaram as mais memoráveis, conhecer pessoas que falam outro idioma, outras culturas, é muito louco. 

AV - Quais são suas influências? Que artistas você ouve no seu tempo livre?

Sigther - Eu escuto muito rock norte-americano e britânico, Audioslave, Linkin Park, Soundgarden, RATM, RHCP, Pearl Jam, Pink Floyd, Queen, Oasis, Led Zeppelin, Black Sabbath, Arctic Monkeys. Acho que esses são os que mais me inspiro e refletem em novos sentimentos pra começar novas músicas. Porém dava pra fazer uma lista gigante aqui, eu escuto de rap a música clássica, e assim vai.

AV - Os seus sets vêm recebendo elogios por todos os lados. Como rola a idealização e a construção deles?

Sigther - Sempre é baseado no horário que vou tocar, ou em quem toca antes e depois de mim no line up, como são festas de longas duração sempre fico atento a essas variaveis. Produzi bastante som melódico nesses últimos meses então é algo bom pra ficar ligado, as vezes começo mais sério ou psicodélico pra terminar mais suave, mas depende muito da apresentação e da festa.

AV - E como tem sido rodar o Brasil apresentando-os? Acha que tem lidado bem com a fama dentro do cenário eletrônico e os compromissos?

Sigther - É sempre bom viajar, como passo o restante do tempo praticamente trancado no studio, é um momento bom pra relaxar e buscar novas inspirações, ouvir bastante música e conhecer novos lugares. Com os compromissos me saio bem, raro perder algum voo ou algo do tipo. O segredo é sempre ter tudo bem planejado e executar da melhor forma.


AV - Você tem interesse em expandir pra outras vertentes dentro da música eletrônica?

Sigther - Sim, mas não vejo como algo pra agora, sinto que ainda tenho muita coisa pra apresentar dentro do Sighter. Eu produzo outras coisas no studio, é bom pra aventurar as ideias e aprender novos caminhos, mas por enquanto não passa de um hobby.


AV - Como Muçum, a cidade, te inspira? De onde tiras inspiração para compor as músicas?

Sigther - Visitar Muçum é sempre bom, revejo varios amigos, familiares, faço varios passeios que sinto falta de fazer aqui, com isso a volta pro studio sempre é cheia de novas inspirações.


AV - Dá pra adiantar alguma novidade que está vindo por aí?

Sigther - Esse ano vai acontecer bastante coisa, comecei um remix pra um dos artistas que mais admiro no cenário internacional do meu nicho, bastante música nova vindo pra ser lançada esse ano que eu gosto muito, então to bem empolgado. No business algumas coisas vão mudar também, mas não posso entrar em detalhes ainda. 

AV - Como a pandemia afetou sua vida pessoal e sua carreira?

Sigther - Acredito que foi um período conturbado pra todos nós, mas tive tempo de estudar muita coisa, então agregou de alguma forma. Foi muito duro parar totalmente, sem perspectiva de volta, pesou bastante no âmbito pessoal, mas hoje estamos voltando e mais fortes do que começamos. Consegui nesse tempo também me reinventar e explorar outros horizontes que a música tem a proporcionar.

AV - O mercado do entretenimento sofreu bastante com a pandemia. Já está dando para matar a saudade do público?

Sigther - Aos poucos sim, não como antes, mas espero que no futuro as coisas voltem ao normal. Pra quem ficou tanto tempo parado, qualquer apresentação que rola já é motivo pra voltar pra casa feliz e inspirado. Vivemos tempos dificeis.


AV - Uma mensagem pro pessoal que acompanha o teu trabalho.

Sigther - Primeiro queria agradecer a galera que escuta meu som! É o fruto mais gratificante que podemos colher! Queria poder abraçar cada um que tem meu som como parte de suas rotinas, acho que é o que me deixa mais feliz dentro do ramo, fazer parte indiretamente da vida das pessoas, eu encontrei um sentido pra minha vida nisso.

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